"Lembremos a advertência de Kardec, no item 306(*) de O Livro dos Médiuns, quanto ao interesse pessoal que leva os médiuns a servirem de instrumentos para a mistificação. Não é apenas o interesse do dinheiro, do ganho material, mas, também, o da vaidade pessoal, que transforma bons médiuns em mistificadores. Tenhamos cuidado com as obras mediúnicas. Há muita moeda falsa circulando como boa, pagando muito incenso para médiuns jactanciosos, em prejuízo da Doutrina dos Espíritos"
J. Herculano Pires. in "Mistério do Bem e do Mal", Editora Paidéia.
José Herculano Pires( *Avaré, SP, 25 de setembro de 1914, — + São Paulo, SP, 9 de março de 1979) foi o que podemos chamar de homem múltiplo. Filósofo, educador, jornalista, escritor, parapsicólogo, romancista, poeta, fiel tradutor de Kardec, em todas as atividades – inclusive, fora do movimento espírita – sua inteligência superior iluminada pelo espiritismo e aliada a uma cultura onímoda e humanística brilhou com grande magnitude, fazendo o público crescer espiritualmente.
Espírita desde os 22 anos de idade (foi menino-prodígio), ninguém no Brasil e no estrangeiro mergulhou tão fundo na obra da codificação kardeciana e ninguém defendeu mais – e com mais competência do que ele – a pureza doutrinária, que colocava acima das instituições e dos homens.
O espírito Emmanuel, por meio do médium Chico Xavier, declarou ser Herculano Pires "o metro que melhor mediu Kardec".
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(*) Egoísmo: O Livro dos Médiuns, n.306.
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(*) Egoísmo: O Livro dos Médiuns, n.306.
306. Médiuns interesseiros não são apenas os que porventura exijam uma retribuição fixa; o interesse nem sempre se traduz pela esperança de um ganho material, mas também pelas ambições de toda sorte, sobre as quais se fundem esperanças pessoais. É esse um dos defeitos de que os Espíritos zombeteiros sabem muito bem tirar partido e de que se aproveitam com uma habilidade, uma astúcia verdadeiramente notáveis, embalando com falaciosas ilusões os que desse modo se lhes colocam sob a dependência.
Em resumo, a mediunidade é uma faculdade concedida para o bem e os bons Espíritos se afastam de quem pretenda fazer dela um degrau para chegar ao que quer que seja, que não corresponda às vistas da Providência. O egoísmo é a chaga da sociedade; os bons Espíritos a combatem; a ninguém, portanto, assiste o direito de supor que eles o venham servir. Isto é tão racional, que inútil fora insistir mais sobre este ponto.
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