Perante as imagens de centenas de migrantes a serem resgatados no Mediterrâneo, houve quem defendesse que a viagem em barcos precários é a forma "mais fácil" de entrar na Europa. A Amnistia Internacional lança um relatório bem elucidativo.
Conta um rapaz de 17 anos, que viajou sozinho desde a Costa do Marfim: "Cheguei à Líbia e fui diretamente para Sabha. Nem sequer vi a cidade... Os traficantes entregaram-nos a outro grupo, com homens armados, que nos levaram para uma prisão secreta. Estive 4 meses numa casa de 3 andares. Éramos umas 40 pessoas. Ficávamos no segundo andar da casa, com as janelas fechadas. Davam-nos de comer uma vez ao dia e bebíamos água da torneira, salgada".
O objetivo? Extorquir dinheiro. "Torturavam-nos para nos forçarem a telefonarmos aos nossos familiares a pedir dinheiro. Se não pagares, não sais de lá". Quem oferecer resistência ou recusar pagamento, é espancado ou mesmo morto. As mulheres são violadas como "forma de pagamento".
Todas estas vítimas são migrantes que colocam a sua vida nas mãos de traficantes e contrabandistas para fugirem à guerra e à violência nos seus países de origem. São oriundos da África subsariana e do Médio Oriente, uma grande parte vem da Síria.
Os países que fazem fronteira com a Líbia fecharam as portas à entrada de migrantes. Sem alternativa, quem foge acaba por entrar na Líbia, um país sem lei onde cresce a xenofobia face ao elevado número de migrantes. Quem lá entra fica totalmente vulnerável ao que traficantes e contrabandistas queiram fazer.
Histórias impressionantes para ler no novo relatório da Amnistia Internacional, lançado no dia em que a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, fala ao Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre o tráfico de pessoas no Mediterrâneo. Para a Amnistia Internacional a solução passa por fornecer rotas alternativas seguras. "Dar santuário a alguém que foge de abusos tão terríveis" é uma obrigação internacional. >bit.ly/1cHM1tC

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