terça-feira, 7 de novembro de 2017

O SOL, INICIADOR DA CIVILIZAÇÃO (4º)

    O Sol, Iniciador da Civilização (4º)

    (De Conferência Improvisada)

   Conheci um dia um homem cuja maior paixão era encontrar ouro. Ele tinha arranjado toda a espécie de livros sobre tesouros, assim como as práticas mágicas que permitem descobri-los.
Durante um certo tempo, eu deixei-o andar, sem lhe dizer nada (evidentemente, ele não encontrava coisa nenhuma),  e depois, um dia, perguntei-lhe: «Por que anda a fazer olhinhos bonitos à criada em vez de tentar conquistar a amizade da castelã?» Ele ficou indignado: «Eu? Mas eu sou casado, não faço olhinhos bonitos a ninguém! _ Eu sei que é casado, e que é um marido fiel, mas  vejo que, apesar disso, está a tentar seduzir a criada.»
     Ele continuava a não compreender. Então eu  expliquei-lhe: «Ora bem, o senhor procura ouro, mas o ouro é apenas a criada. A castelã é a luz  do Sol, cuja condensação nas entranhas da Terra deu o ouro. E quando a castelã vê que, em vez de tentar obter as suas graças, os seus sorrisos, o senhor persegue a sua criada, sente-se ofendida e fecha-lhe a porta. Daqui em diante, dirija-se directamente à castelã, à luz do Sol, faça o possível por amá-la, por compreendê-la, por atrair as suas graças, e, mais cedo ou mais tarde, o ouro virá. Por que não se dirige mais acima? Se for amigo do rei, todos os seus súbditos terão consideração por si. Mas se apenas ganhou a amizade do porteiro, ficará com o porteiro e os outros não o conhecerão.» Ele ficou estupefacto e disse: «Compreendi!» Mas eu não acredito, pois ele continuou a lançar olhos para a criada!
      Não é só o ouro que é uma condensação da luz solar, também o são o carvão, o petróleo, a madeira e os materiais de que se faz toda a espécie de objectos. Tudo o que as indústria fabricam, e até o vestuário que nós usamos foi produzido pelo Sol. Toda a economia está baseada nos produtos do Sol, mas o Sol, esse, é esquecido. Despreza-se o criador para correr em busca de cascas, dos restos das escórias das suas criações. Há, pois, algo de errado na compreensão dos humanos, e é isso a origem dos seus maiores males, porque, quando se abandona o essencial pelo secundário, o centro pela periferia, é inevitável dar com a cabeça nas paredes, e é o que lhes acontece. Por isso, agora é necessário que eles restituam o primeiro lugar àquele que é a causa de tudo: o Sol. A situação corrigir-se-á primeiro nas suas cabeças, em seguida na sociedade, e tudo irá muito melhor. Vós direis: «Mas como é que a maneira de considerar o Sol pode ter semelhantes consequências? É apenas um detalhe.» Sim, parece apenas um detalhe, mas, com o tempo, esta inversão de valores acabou por acarretar consequências extremamente graves e complicadas em todos os domínios da vida.
Do Livro: «Rumo a Uma Civilização Solar», por Omraam Mikhael Aivanhov (1900-1986), filósofo e pedagogo francês de origem búlgara.
Éditions Prosveta/ Publicações Maitreya_Portugal.
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(Florinda Rosa Isabel)

 














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