terça-feira, 29 de março de 2016

ARTIGO DE MARÇO DO JORNAL «VOZ DA MINHA TERRA», DO CONCELHO DE MAÇÃO.

NÃO SEI O QUE FAZER DA MINHA VIDA...
 

 Até há bem poucos anos, eu sabia o que fazer, como me alimentar, como dormir, quando beber água, como me vestir, como fazer compras, mas agora, vejo-me diariamente com problemas de vária ordem...
    Vejam o meu ritmo diário, seguindo os recentes conselhos de boa saúde:
    Levantar e beber um copo de água muito quente, para  desapegar as impurezas que possam estar escondidas  e bem agarradas cá por dentro. Tenho de aguardar uns 25 minutos, que é o tempo suficiente para as impurezas fazerem as malas e se porem ao fresco.  Só depois devo tomar o pequeno-almoço. Mas se sinto alguma dorzita, por leve que seja, entro em pânico: será que a água estava a entrar em ebulição e fiquei com as miudezas cozidas? Mas não! Primeiro teria de cozer a língua... Mas a língua não faz prova  de cozedura, é o que as mulheres têm mais resistente, pode estar ao serviço 24 horas por dia sem dar sinais de cansaço...
       Bom, hoje sai para ir às compras, depois de me ter certificado de que a única pele de origem animal que eu trazia vestida era a minha...
     E pensei: Que devo comer, que não destrua vidas? Claro que, carne, já deixei de comer há muitíssimos anos, talvez compre uns ovos... Mas se pergunto se têm ovos de galinhas felizes, a maioria não conhece o termo aplicado às galinhas de campo e eu fico com receio de que me respondam que não sabem nada sobre a vida conjugal delas.  Mas o pior, é que minhas amigas veganas aqui do facebook já informaram que, mesmo as galinhas que andam em liberdade, felizes, só botam ovo para fazerem filharada. Os ovos representam, nas galinhas, a gravidez das mulheres... E, tal como elas, se o galo não as "engravidou",  ovo estéril, representa o período da galinha...
      Peguei numa alface, mas recordei que já está comprovado pela ciência  que as plantas têm memória e, se alguém lhes faz mal, elas emitem sinais de medo quando a pessoa se aproxima. E desisti. Ora, ela iria sofrer quando eu a passasse aos sucos. E se começasse a emitir algum sinal captado pela família dela? Lá vinham as alfacitas órfãs ter comigo a choramingar... E desisti.
     Voltei-me para a fruta. Peguei numas maçãs, mas vi um furo numa delas. Comecei a meter a ponta da unha, apareceu a cabecinha dum bicharoco. Voltei a cobrir o furinho e calculei que todas as outras maçãs estavam habitadas. Que horror! Tirar o abrigo àquelas criaturinhas de Deus! _É assim que meu amigos veganos se referem a toda a espécie de bichinhos, até moscas. Todos vivem com a energia de Deus. Menos os parasitas dos seus "filhos adoptivos", os cães, pois esses são desparasitados...
      Bom, já devem estar a calcular que ainda não foi desta vez que me alimentei... Já quase sem forças para me manter em pé, decidi voltar para casa. Foi quando me apercebi de que minha sacola das compras era de origem chinesa! Meus amigos activistas já tinham mostrado  várias fotografias do trabalho escravo das crianças na China. E, eis que alguém me ligou para o telemóvel... Ao pegar-lhe, recordei que já tinha sido alertada para as condições miseráveis em que trabalham  as crianças chinesas e de outros países mais, para produzirem todo esse conforto tecnológico de que nós os "sempre-queixosos" desfrutamos... Fiquei de rastos...
      Após atender a chamada, fui atraída por uma montra que tinha vários produtos de cosmética em promoção. Precisava de comprar um creme para amaciar as costas de uma barata que se alojou cá em casa e que, segundo afirmam os activistas, são criaturas de Deus, também têm direito a viver. Bom, enquanto ela viver comigo, quero cuidar bem dela. Só o trabalho que tive a examinar as marcas dos produtos, através da longa lista que explica os que testam e os que não testam em animais...
      Cheguei a casa a atirei-me para cima da cama, de tão exausta e faminta que estava. E foi quando tive um rebate de consciência: minha colcha é de lã! Que vergonha! Pobres ovelhas, terem de se despir para eu dormir quentinha!
        Bom, o artigo deste mês já está, veremos se me aguento mais outro mês sem comer... (Ah! Ah! Ah).
      Beijocas.
     Florinda Rosa Isabel

      

Sem comentários:

Enviar um comentário